aflorar

muita coisa mudou. e depois não mais. e muito tempo se passou, depois ainda mais e ainda mais algum.

uma era depois disso – pelo que se sente. e ainda passou mais outro tempo e mais um pouco. e tudo  assentou. e, por muito, o mundo continuou girando no seu eixo sem nenhuma mudança, sem susto e assalto, sem calafrio. sol e noite apenas, sem grandes alardes.

no entanto, ao mesmo tempo, sem que eu percebesse, o relógio trouxe consigo a primavera, estação aquela onde as plantas florescem e o pólen voa, o vento fecunda de botão em botão. e, tudo girou – inclusive meu coração;

e foi na tarde mansa, depois do café preto e sem açúcar que nos beijamos. meus olhos desfocados, nadando e brilhantes com o olhar de encanto. já você demonstrava só um ar de muito satisfeito consigo mesmo, dos louros de que havia me provador errada – tinha comprovado, me mostrado que era necessário apenas o toque da língua na fruta para gostar, sem o drama, o ferro e fogo.

e jogou meu copo vazio fora, a boca de cafeína, o hálito, e tomou minha mão na sua, convencido de si (e belo no topo do seu altar) e citou: “viu? a prova da doçura do mel é, somente, o próprio mel”.

e estava certo.

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