a vida dos outros

entrou no ônibus bem agora pouco, ali na central do brasil, e se sentou do meu lado uma moça bem morena, daquelas meio gordinhas (“parrudinha”, como diz a minha mãe), em um vestidinho de oncinha curto e apertado, os cabelos arrumados em cachos bonitos e largos.

entrou, toda pomposa, com um namorado careca, baixinho e igualmente gordinho sendo puxado por uma mão. subiu, se equilibrando em tamancas de salto plataforma bem altas, daquelas meio baratas, cobertas de pequenos brilhos e miçangas. veio descendo o corredor do 249, com o carequeinha em uma mão e um buquê de rosas vermelhas imenso na outra. os dois, com tatuagens combinando nos antebraços – nomes e corações em letras rococós – e ela, com os dentes da frente separados e uma penugem espessa e negra no buço (chamaria quase de bigode) e bijus, muitas bijuterias, soando como sininhos, douradas, sorria, sorria muito, sorria largo…

e a moça do banco na diagonalo olhou com descaso, um bocejo grande de quem trabalhou a semana toda. virou os olhos. e a moça nem viu (ou não se importou) e mostrou mais os dentes, aquela fresta uma janela para língua, e beijou o namorado na bochecha com uma criança agradecida. feliz.

e foi a cena mais bonita que eu vi hoje.

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One Response to “a vida dos outros”

  1. dehprates Says:

    romântico 🙂

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