nada muito além de farinha e gordura

Você há de entender que o mundo foi feito para desaponta-lo: ele não foi feito para suas necessidades, nem seus gostos, muito ao menos gira em torno de você. Pelo contrário. Você há de entender que ele foi feito para joga-lo, de um lado para outro, como boneca de pano na mão de irmão mais velho malvado, e que ele te maltratará. E muito. E que será um monstro, às vezes, na forma dos seus amigos, da sua família, do seu emprego. Você há de aprender que as decepções sempre virão, sem fala. Por dias elas serão pequenas, como querer comer brigadeiro de colher depois do almoço e não ter; outros, grandes, enormes, resfolegantes, como uma pessoa amada que se vai cedo demais. Você há de ver que o mundo gira, todo se sorrindo e satisfeito de si, e que o sol nasce, dia após outro, como quem não se importa se você nasce ou morre, se sorri ou chora. E, verdade seja dita: o mundo foi feito para o mundo e, realmente, não se importa.

Você há de entender que o mundo é o que é, real e cruel, e que continuará sem você. Que ele é muito mais do que qualquer a mente pode entender. Que sim, traz também consigo coisas muito boas, coisas que vêm, mas que também, infelizmente, passam: que o que fica é a expectativa, esganada todos os dias, pra um ou pra outro, sob a soleira da porta de qualquer lar. E você há de ver que não há muito mais o que fazer do que remediar, e perdoar, e torcer pelo melhor. E viver seguindo em frente, com o trivial.

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