não abras a boca!

e eu estava pra dizer tudo, ali, naquele momento, um vômito de mil palavras por segundo. como em uma piada de mau gosto, minha cabeça girava e eu não tinha controle, o corpo mole, uma convulsão onde eu não tinha controle das pernas e muito menos da língua. o cérebro chacoalhado como um turbilhão e as palavras que vinham na garganta, quentes, e eu quase cuspindo tudo. e tudo e tudo e tudo estava ali na ponta da língua…

eu quase disse! a coragem no estômago e uma queimação horrível de quem segura a angústia, palavras de café de cigarro e de amargura. o gosto pastoso da saliva seca e de todo um passado não digerido. e eu deveria ter dito, na verdade, deveria mesmo, falado tudo, gritado alto… eu mereço, depois de tanto tempo.

talvez desse certo, ninguém nunca saberá. e caso desse errado, depois qualquer coisa era só tossir ou desmentir ou fingir um desmaio ou dar uma risada louca e gritar pelos corredores, saltitante: “FOI O DIABO QUEM ME FEZ FAZER HAHAHAHA!”

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2 Responses to “não abras a boca!”

  1. xasika Says:

    Sexta-feria devia ser sábado.

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  2. Licia Says:

    Uh cãum foi quem butô pá nor bebê!!!!!

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