a felicidade é imperativa

tínhamos que ser felizes. tínhamos que sorrir e nos sentir satisfeitos, sem tempo para reclamações com essas pequenas coisas da vida, como esse assunto do coração, tão ínfimo, tão mundano. afinal, somos saudáveis, somos jovens, temos emprego, temos amigos… afinal, no fim das contas, ele não fora nada, ele não é nada; de que importa se está aqui ou lá? de que importa se vive ou morre, se anda e respira ou se dorme a sete palmos do chão? importa. não deveria, mas importa. e o ciclo começa de novo, a revolta, a saudade, a vontade de rastejar pra dentro de um buraco e chorar até o buraco encher e você se afogar em lágrimas, e a vontade de esmigalhar as coisas com as mãos, fazer farelo de todos os objetos e dos sentimentos e das pessoas ao alcance, arremessar, quebrar e socar tudo, até mesmo o sol bonito que faz lá fora. frustração. inércia. incômodo. e como a felicidade alheia incomoda, como os casais se beijando e rindo incomodam, e como estar só quando o objeto do seu afeto já se apaixonou por outra pessoa incomoda. é o ciclo, o mesmo ciclo: catar os pedaços, reconstruir, recomeçar. como é difícil, meu deus, colar os pedaços, desdobrar a alma. depois, lavar o corpo num bom banho, esfregando a pele morta, se tatuar, pegar aquelas musicas do Morrissey que falavam tudo pra você naquele passado nada distante – aquelas canções que contavam sua vida – tirar a poeira dos discos depressivos e escutar de novo e de novo… todas as letras, cantar a plenos pulmões, pelas ruas, entre lágrimas, lavar os olhos no chuveiro, na chuva, molhar os travesseiros por causa dos sonhos… alcançar catarse! um pequeno empurrão. e uma dose. e outra dose e outra e outra e outra e um maço e uma dose e outra e outra e gritar pela rua alto alto ALTO. um ombro amigo, um choro sincero. embaraçar os presentes sentados a mesa com seu desabafo. aguar o café com as lágrimas que escorrem. receber e aceitar os olhares de pena da sua mãe e pai. e talvez dar uma risada fraca, resultada de uma piada ruim. e tentar se apaixonar de novo, tentar talvez até colar, até você acreditar que pode que pode que pode, que poderá. mas não dará certo. e depois você se arrependerá de ter forçado, mas forçará ainda assim. e um dia, do nada, irá acordar melhor. o ciclo dará volta completa, se fechando – e de volta para o (re)começo.  sem perceber, aliviado por terminá-lo, você abrirá o coração para começar de novo, sem pudores, a mesmíssima coisa. a ladainha… o coração, que não possui mesmo memória,  deixará que o cérebro se encarregue de se lembrar o que se passou. (e tudo está perdido, já que o cérebro, incapaz de sentir, não saberá lembrar-doer).  da última vez demorou um ano, e tudo está se passando sem eu conseguir controlar e agora já temos seis meses, num piscar de olhos, então  que venham mais seis meses… pareceu tão rápido. 365 dias, 360 graus. de volta para o mesmo lugar. de novo.

estou no meio de tudo. o ponto da dúvida, sem andar pra frente ou pra trás. mas fique feliz, meu amor, fique bem. ainda te amo, então fique feliz, fique bem. não se preocupe comigo, eu me viro como der, com o que tiver pra hoje… não se preocupe comigo. fica bem. 24 horas de contagem. 6 meses de vida.

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4 Responses to “a felicidade é imperativa”

  1. xasika Says:

    hang on to your iq

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  2. Leila Says:

    Leila, sou eu. E você quem é você? Você sabe?

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  3. Licia Says:

    A minha última vez demorou… aff… 3 anos. 3 anos de fossa pruma merdinha dum relacionamento de 1 mês e meio.

    Meu último relacionamento teve 3 meses, então devo conseguir me levantar lá por 2016 ¬¬

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