one hundred years of solitude

eram pequenas dicas sutis, quase imperceptíveis, que deixavam a entender. indicativos que quase fugiam aos olhos, a não ser que se prestasse atenção total, com os olhos fixos na cena. o jeito como ajeitava a mecha de cabelo atrás da orelha, a mordida tímida do lábio de baixo, mirando os pés como se estes fossem a mais nova e interessante invenção. a bochecha rosada, a risada abafada, inocente, sorrindo mais com os olhos do que com os dentes. aquele fitada de meio segundo, primeiro nos olhos, depois nos lábios – por só um milésimo – e depois de volta aos olhos. deixa a entender. se se pisca os olhos, se perde, se se desvia o olhar, não está mais lá. e depois os dedos tamborilando na xícara branca, dedos tão longos e lindos, abraçando aquela xicrinha com amor. depois os mesmos dedos passeando, levemente, pelos braços, como pena – um toque tão leve quanto o peso da pluma – passeando pela pele, causando arrepios. e eles pedem a conta, se olhando de rabo de olho. se levantam, ajustando os corpos mais pra perto, impossivelmente mais perto. o moço abraça a moça com braços fortes, um abraço másculo, seguro de si. ela sorri, pressionada contra o ombro. ela tem pernas longas, muito longas, pernas infinitas, kilômetros de pernas. ele tem muitos dentes na boca, é a boca mais cheia de dentes que eu já vi. a mão dele desce para a parte baixa das costas dela, a outra mão abre a porta, sinalizando para que saia. as pernas saem, pernas grandes, ela é tão alta que são os dois do mesmo tamanho.

combinam bem.

Advertisements

now, your turn!

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s