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de pé já faz horas e a cama ainda desfeita. sem almoço, sem café da manhã, só cigarros. cigarros e música, canções tristes e canções felizes. de vez em quando um trago daquela garrafa escondida entre os livros da prateleira de cima. um mundo dentro de quatro paredes, um mundo não partilhado. um mundo de concreto e aço, particular. as paredes brancas, sólidas, lisas, boas ouvintes – segredos são contados, em sussurros, até a hora do sono. mas não se dorme de manhã ou de madrugada. apenas se dorme, entre poemas e fantasmas. as cortinas, fechadas, filtram o sol – não se sabe se é dia ou noite. mas pouco importa. o seu pequeno mundo é solitário – 24 horas por dia consigo mesmo. um quarto, um só quarto, a almofada, amante, deita-se preguiçosamente ao lado. abraça o travesseiro, então muda de lado: o mundo de cabeça pra baixo, andando sobre as mãos, e, deitado, com os pés na cabeceira. nenhuma gravidade lhe prende, não compreende a gravidade das coisas.não há astro no céu, nem ao menos há céu. só teto. o tempo passa sem sol ou lua. afinal, o que é um ano? apenas o tempo necessário para que a terra dê uma volta completa em torno do sol…

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