quando criança só queria crescer mas, agora que cresci, acho tudo uma merda

já vivi tantos clichês em vida – o de adolescente revoltada, o de poeta romântico, o do amor a primeira vista – que, hoje em dia, já não posso mais. tento evitar e esquecer de viver essas besteiras, mas, de tempo em tempo, me aparecem na mente essas coisas.

coisas de gente jovem, eu penso. coisas que gente velha não poderia se dar ao luxo de sentir por ser muito racional, muito vivido: pequenos prazeres que nós, seres envelhecidos, ficamos felizes de termos perdidos junto com as inseguranças do passado, as tolices, as espinhas da cara.

porém, não há melhor clichê do que este mesmo de sentir-se jovem, sentir-se fresco, rebelde, sem causa. não há clichê melhor do que sentar-se no carona do carro, a cabeça pra fora da janela aberta e, em alta velocidade, sentir o vento frio bagunçando os cabelos, gritando, cantando rock bem alto. não há nada melhor do que sentir-se sem rumo, sem responsabilidade, sentir-se leve na beira da praia, no fim de tarde, nadar nu em meio a imensidão da água, fumar um cigarro como se fosse o primeiro, com medo da descoberta, com a adrenalina do proibido. não há clichê melhor sentir-se em forma, magro e bonito, do que curar uma ressaca com uma nova cerveja, do que curar um coração partido com um novo amor.

porém, o domingo acaba e a segunda vem, e o trabalho chama, o telefone toca, o clichê passa… a gente, muito velho, envelhece tudo de novo, 10 anos por minuto. fica, do clichê do jovem, só o cheiro da maresia, meia dúzia de lembranças e outra meia de histórias.

e a esperança do domingo que vem.

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2 Responses to “quando criança só queria crescer mas, agora que cresci, acho tudo uma merda”

  1. Carlos Says:

    A rotina nos envolve e nos faz ter medo de fazer coisas simples, de se permitir. As proprias pessoas que vivem ao nosso redor acabam as vezes por nos oprimir, e resignar a pensar que qualquer coisa fora do eixo diario normal é clichê, ou ridiculo demais para nossa idade. Seja justo e sincero consigo mesmo, acho que é esse é o inicio de qualquer mudança.

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  2. Licia Says:

    O bom de crescer é sentir-se parte do mundo mais do que nunca, um exemplo disso que aconteceu comigo recentemente foi encontrar o Bruno Medina no centro do Rio e me sentir tão adulta quanto ele. Acho que a maturidade é percebida nessas pequenas coisas, muito mais do que em votar por exemplo.

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