electric sheep

um dia já gostei de sonhar. hoje já não é o caso. fazia muito tempo que não sonhava e estava feliz assim. o período de sono era, então, utilitário. eficaz. dormia, descansava, sem aborrecimentos ou interrupções – sem grandes emoções. eu sei, eu sei que todos sonham (pessoas, bichos, quem sabem androides?), mas antes eu mesma me fazia o favor de esquecê-los, de fechá-los em uma caixa e não me aborrecer, sei lá. prefiro achar que não sonhava. acho que também me fazia o favor de desintensificá-los, caso acontecessem – eram brandos, mornos, sem grandes raivas ou amores.

agora, já não tenho mais paz. enrolo, até o último minuto, para deitar-me. talvez, quando muito tarde, a fada dos sonhos desista de povoar minhas ideias com suas imagens lindas e sórdidas, ou talvez o corpo, exausto, simplesmente desabe e poupe energia para atividades mais úteis do que este cineminha surreal que é o sonhar.

não gosto de pesadelos por razões óbvias: me apavoram, me aborrecem. ninguém gosta de pesadelos. não gosto de sonhos bons por razões não tão óbvias: quando acordo, não existem. decepciono-me, vejo esvair o sentimento bom. de maneira ou de outra, tenho péssimo dia após sonhar.

queria ter o prazer que algumas pessoas tem com o sonho, ou a placidez daquelas que anseiam para ir para cama, para dormir. sem o alívio do sonhos, o álcool. é a maneira mais fácil de bloquear o imaginário, entorpecendo. quando falha, torna as coisas abstratas, ou enjoa de maneira não fazer dormir longo. hoje, quando for noite, deitaremos eu e a garrafa.

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