do tempo biológico

não guardo minhas memórias como a maioria das pessoas, por blocos de eventos, como álbuns de fotos. não me lembro se aquele outro dia foi sábado ou domingo, este ano ou o passado. não há ordem cronológica nem linha reta, marcada por traços que dizem se é 1987 ou 2009. lembro-me pouco da minha infância, muito menos do que as outras pessoas conta-me. debulham detalhes de experiências, de momentos. lembro-me de alguns momentos carinhos e de alguns traumas, nada mais além. não foi uma infância infeliz, antes que me falem, foi muito feliz e normal. mas foi no passado. não posso dizer-lhe se troquei carícias íntimas com alguém aos 15 ou 16 anos – pois não foram traumáticas nem memoráveis. apenas foram. não lembro nomes, alguns rostos. mal me lembro de situações trágicas. não recordo emoções senão as de hoje, nenhum ódio em discussão acirrada, nenhum choro de depressão profunda. lembro-me de hoje, de atravessar o sinal. lembro-me do presente de agora e do passado próximo de um minuto atrás. mais provável que lembrarei do próximo minuto que virá assim que este virar passado, esquecendo-me então do minuto que citei a pouco, da emoção que motivava-me a escrever há um minuto atrás. não guardo o tempo em mim.

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