the art of loosing IS hard to master

Algumas coisas foram se perdendo, outras eu fui me desapegando. Alguns fragmentos foram jogados fora, especialmente aqueles tortos, os bambos, os forçadamente encaixados em espaços errados nesse jogo de tetris emocional.

Primeiro foram-se as memórias. Seqüências inteiras descartadas numa edição de momentos-não-tão-cruciais. Coisas que eu jamais esqueceria antes foram forçadas pra fora, abortadas como criaturas defeituosas e indesejáveis. Mesmo com as seqüelas, forço-me a não lembrar. Durmo sem medo. Não sonho.

Em segundo, foram-se os presentes. Joguei fora os dvds que ele me deu, até os que eram previamente meus, porém que assistíamos juntos. Inconscientemente, evito pegar do armário aquela camisa que ele tanto gostava, ou usar aquele cordão que ele elogiava. Cortei meus cabelos também, os belos cachos que um dia enviei uma mecha em carta de amor. Foi-se tudo. Ando pelas ruas.

Por último, foram-se os sonhos. Doloridos eram, mas foram-se sem querer ralo abaixo para a grande e antiga poça das desilusões. Hei de viver assim mesmo, conformada, sem grandes esperanças. Sem promessas. A idade chega, a responsabilidade de crescer. No fim das contas, estaria estagnada nesse mesmíssimo lugar onde hoje me encontro: uma terra adulta de cascas amadurecidas, um ponto de presente vazio, dia após o outro, sem horizonte longínquo ou futuro.

Advertisements

now, your turn!

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s