wake up alone

não quero admitir, mas está crescendo. vai aos poucos tomando conta, da ponta dos dedos aos fios de cabelo. o que antes era muito sutil agora é muito súbito, inesperado. me incomoda, tenho que dizer, a eterna confusão das coisas e a diferenciação difícil da linha de sonho e da linha de vida. mas fico em silêncio. este, porém, também está mais difícil de manter. meu desejo maior era falar, partilhar, mas o ato de contar requer uma força de vontade e uma coragem que me escapam. fico à sombra, como sempre fiquei. sem contar que ficar no escuro é mais seguro: quanto mais falo, mais real se torna. fica sólido. enfim, esperei na minha ingenuidade que passasse, mas não passou. achei que o desconforto fosse momentâneo, mas não é. a loucura é uma palavra difícil de colocar para fora da boca, e impossível para fora da mente. convivo com ela um dia após o outro e com suas irmãs: a paranóia, a insônia, a compulsão. boto a culpa noutras coisas, adio o inadiável. o inevitável. espero lentamente que me mate, é meu veneno. minha mente é meu fardo. aceito. e não falo nada. no silêncio o eco é forte, porém, como esse ruído de pêndulo entre os extremos da loucura e da sanidade, o barulho fica menor.

e quanto maior o silêncio, menor o caos.

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