pós-moderno

o menino se questionava sempre, no silêncio solitário de seus botões, se ele não estava vivendo uma existência ilusória, uma tragicomédia criada por ele e para ele. questionava os papéis de seus amigos, se suas falas haviam sido previamente decoradas, enfim, questionava cada passo com paranóia e medo de, um dia, essa sua novela terminar.

o cancelamento de sua novela, o cancelamento de sua vida. o menino questionava também, no silêncio solitário do seu quarto, em vista que o fim era inevitável, se deveria encerrar sua carreira com classe e choque. jovem e bonito, bem visto: James Dean da era pós moderna. ponderava se deveria jogar(-se) o protagonista na frente do carro mais próximo. mas morria de medo de não matar-se(/morrer).

perguntava-se sempre: “se eu matar meu personagem principal, estarei tirando a vida de meu próprio corpo ou apenas trazendo um fim fictício trágico para o meu simulacro?”

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