cold and broken hallelujah

um fim de semana de cigarro e álcool. cigarro e álcool. o álcool nem tanto, pois dá mais fome e cansaço do que alimenta, mas o cigarro sim… aquela satisfação da fumaça no pulmão, ela enche, esquenta… sem contar que te dá algo pra fazer com as mãos nervosas, vazias, que já estão cansadas de ficarem cruzadas sobre o colo ou de batucar. toma aqui, cara, ainda tem meio maço. toma o isqueiro, acende e traga. dá uma tragada longa, vai te relaxar. é mentolado esse cigarro, muito tranquilo.

enfim, você quer mais uma dose? eu sei que vodka dá fome e que é meio enjoativo… você parece meio verde, está passando mal? mesmo assim, mais uma dose? vou tirar a garrafa da mochila… toma, cuidado com o gargalo. se essa te der fome a gente sai pra jantar, passa aqui ou ali, onde você escolher, e come. seria realmente bom a gente comer alguma coisa, não? estamos a muito tempo de jejum, ajudaria na ressaca que está por vir… é, eu sei que tô falando pra cacete e tô falando sem sentido, mas é que eu realmente não sei o que falar. não me olha com essa cara, por favor. calma, deixa eu secar essas lágrimas… por favor, para de chorar. eu sei que está doendo e que esse tipo de coisa não tem botão de desligar, é o coração e vai doer mas para de chorar. eu já não tinha o que falar antes, agora tenho menos ainda. me desculpa por não ter palavra de consolo nessa hora mas é que eu realmente não sei o que eu posso dizer que vai te acalmar ou te dar mais resolução.

você quer um momento de silêncio? eu acho melhor eu me calar agora. pensa em um lugar pra gente jantar, eu pago, tô te devendo aquela grana mesmo, desde a semana passada. deixa eu acender um cigarro aqui. quer outro? não? vai, toma, dá uma tragada do meu… é, é melhor a gente não fumar mais aqui dentro, daqui a pouco alguém reclama. mas pra que essas janelas fechadas? só por causa dessa chuvinha? é, eu sei que não pode fumar em ônibus, mas não tem quase ninguém aqui dentro… é, é bem tarde. como é que a gente veio parar tão longe? somos loucos, isso somos, ficando totalmente bêbados a duas horas de casa, em uma cidade desconhecida, sem pai nem mãe nem amigos, em uma festa cheia de estranhos… meu deus, a gente podia ter morrido e ninguém ia saber. mas estamos bem, estamos quase em casa. vai, amigo, chora. desculpa pelo descontrole, chora. eu sei que tá doendo, e eu só posso te dizer que vai doer. isso não é muito promissor, eu sei, mas é a verdade e eu não posso mentir pra você. isso, segura minha mão, eu vou me calar agora.

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