anthology

verei o dia da sua ruína. assistirei de pé enquanto tudo que é de seu domínio rui, escombros projetados diretamente para o chão. veja bem, meu amor, não há outra escapatória… a rotina faz tudo muito claro, faz os sinais translúcidos – tudo aponta para o fim inevitável e trágico que está por vir.

assistirei a sua ruína, meu amor, e não assistirei feliz. antes só minha ruína fosse, do que a tua, mas dessa vez tudo será de nós dois. tua ruína será a minha, mas não é isso bem o que me entristece. pouco me importa o que me acontece em vida, o que é do meu íntimo, o que cabe a a mim e a mim só… realmente, no fundo, o que me devasta é o fato de não ser, para você, o pilar como prometi, não ser a rocha que segura.

então, depois da ruína, meu amor, sobrará para mim ao menos o lugar de sempre, e ele apenas: o de catar os cacos, retirando o que ainda vive e sofre de debaixo dos escombros, remediar, às pressas, as feridas. retirarei, novamente, as farpas incrustadas na sua pele, meu amor, e, sem medo ou repulsa, deixarei o sangue todo cair na minha boca…

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