jurei mentiras e sigo sozinho

dias atrás passei um tempo conversando com uma amiga que mora fora do país, jogando conversa fora mesmo. dispensável dizer que a internet inibe o assunto e esfria os relacionamentos e tudo; então assumo que estávamos trocando amenidades, por falta de assunto. enfim, estava ela a me contar os avanços das viagens e as belezas das coisas, dos lugares, do tesão de viajar e etc, até cair no ponto chave, aquele de todo e qualquer viajante sem rumo ou companheiro: a solidão.

disse-me ela que estava começando a querer voltar, não por saudade da vida que havia deixado aqui (comodidades pagas pelos seus pais) ou amor à pátria. nada disso. mas sim pelo fato de estar começando a enlouquecer em um lugar onde ela está louca para se conectar e se encontra atolada nos impasses da língua e nacionalidade. é, aquele velho caso de lost in translation.

então fiquei a chorar umas pitangas com ela – mais ouvir do que chorar para falar a verdade. (pois me faltam pitangas, já que fora as neuras diárias, tudo me é satisfatório atualmente). a solidão, em si, por exemplo, já não me incomoda mais.

veja: não imagino essa solidão eremita, a solidão desesperada da não-compreensão. esta deve ser angustiante. mas me pergunto se não nos encontramos constantemente na solidão do silêncio dentro do nosso próprio país, das nossas próprias casas, ônibus, elevador, rotina, amigos no bar, roda de violão?

e qual o problema dela? creio que a solidão sofra um preconceito, idéia errônea de que ela é sempre ruim, que não podemos ficar sós. que a humanidade NECESSITA de trocar tudo, de tocar, de encontrar. porque isso? eu acho tudo muito reconfortante, particularmente. healing. a solidão cura. a concha pode ser medrosa, porém é segura. blocos de pedra. estou atrás de muros todo o tempo, sejam eles meus braços cruzados ou um olhar que analisa de cima a baixo. estou aqui, atrás de um agora.

meus julgamentos, minhas mentiras. e não creio que seja coisa de quem se acostuma. ‘me acostumei a ser só. aprendi’. não, definitivamente. é mais do que o hábito, creio que seja uma vivência inteira, desde a doce juventude. a solidão é um cônjuge temperamental, na melhor das hipóteses, porém compreensivo quando necessário.

me peguei falando disso com outro amigo noite dessas, na solidão acompanhada da manhã. falávamos nos tipos de pessoas solitárias que aparecem e cheguei a conclusão de que deveria pensar mais nos tipos todos de solidão que nos rodeiam. ele me disse que, talvez, eu pensasse na solidão demais – que as coisas não eram assim.

não creio, com certeza. como não pensar em algo que habita o pensamento o tempo todo PROPOSITALMENTE? para mim seria como trair um melhor amigo convidado para uma estadia eterna em minha casa. afinal, querendo ou não, precisando ou não, EU a trouxe para perto e ela sempre esteve lá por mim.

Advertisements

now, your turn!

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s