i need some fine wine

Está chovendo de novo, a cidade está debaixo de casacos e guardas-chuva. São nove da manhã e o céu está cinza e preto, em faixas pintadas e difusas, com nuvens pesadas e ranzinzas.

Meu pé direito, aquele que eu torci em 2002 numa bebedeira, não gosta da chuva: a umidade faz ele se sentir esquisito, dolorido, mas isso é, de certa forma, meio mágico — eu sempre sei quando vai chover.

É cedo demais para estar aqui, sentada nessa praga dessa máquina, escrevendo qualquer tipo de coisa, visto que meu cérebro ainda não deu a ignição necessária para eu conseguir formular algo que faça sentido. Mas, de certa forma, me sinto mais “pura” assim: vou escrevendo mesmo o que vem na cabeça, sem o véu da vergonha, da preocupação tola de escrever uma baboseira qualquer que agrade.

Me falta café, café. Me falta um banho também. Acabei de olhar minha cara no espelho e, definitivamente, já tive melhores dias. Olheiras GORDAS.

Está tocando Duke Ellington agora. “Take the A Train”, linda, linda. E o telefone não para de tocar, cismando em interromper… é muito cedo pra telefonar ainda, gente! Familiares sempre telefonam cedo, impressionante – familiares não dormem. Já as pessoas interessantes que não dormem, telefonam cedo também, mas estas estão bêbadas às 5 da manhã.

Hoje vai ser um dia estranho. É como se tivesse um goteira no meu cérebro e, com essa chuva, ela não parasse de pingar…

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