“Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a esse artifício conseguimos suportar o passado.”

finalmente desenterrei aquela caixinha de madeira marrom depois de tanto anos de temor. resgatei-a lá do fundo da terceira gaveta da escrivaninha, onde mantinha-a escondida, refém do escuro. tenho medo e adoração por esta caixa, como uma caixa de pandora: dali pode sair tudo que for do bem ou do mau. abri. abri! está aberta agora, aqui na minha frente.

estou relendo suas cartas para mim. depois de tantos anos, elas parecem mais doces, tão mais bonitas. por mais que sejam apanhados de tolices cotidianas e flertes indecorosos, foi tudo pra mim e me faz sentir muito bem. não sei porque, não sei realmente, porque continuo apaixonada por você. era bom, no passado, mas e hoje?

sei que não é sua beleza ou sua inteligência ou seu charme (que lhe falta) as coisas que me pendrem, não sei. continuo te amando pelo exercício de te amar, creio eu, mas acho que me engano… pois, depois de reler essa sua última carta, percebi que amo aquele que você era naquela primeira vez, naquela primeira carta. e, toda vez que te beijo, acho que penso nos lábios daquele antigo-ele em vez dos do atual-você…

porém, mais uma vez, pode ser miragem.

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