sábados de manhã

sentara ali para escrever o escrito de sua vida, um conto que iria mudar o mundo como hoje o conhecemos. um conto que iria além do bem e do mal, uma obra no patamar dos clássicos que consumiram a sua infância, quando perdeu todos os dias da flor da sua juventude imerso em literaturas — suas únicas mulheres, as Balzacquianas, seus únicos homens, os pré-socráticos.

então, munido de café e cigarros, se sentara para escrever o conto da sua vida, a compensação por tudo por ele assimilado nesses seus 22 anos. sentia-se velho e cansado, consumido pelo tempo, carcomido pelo trabalho precoce.

usaria a literatura ao seu bel-prazer. seria o seu elixir de sua juventude, aquele conto, seria como re-encarnar Ponce de León. enfim. sentara-se pra escrever o tempo, o amor e a morte.

porém, após escrever e escrever, ao colocar o ponto final na sua magnífica obra, percebera que aquilo era medíocre e falho. só então, depois de 22 anos de pré-conceitos, percebera que ele nunca usaria a literatura para si, e sim que ela o usaria eternamente para ela…

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