“I / I can remember / Standing / By the wall”

e quando eu voltei, andando, quando vim voltando pra casa, as ruas eram todas minhas, os prédios eram todos meus. tudo me pertencia e não existia mais ninguém. as ruas estavam vazias, o bairro desolado… escutei, pela primeira vez, silêncio na avenida, nenhum motor ou buzina. nada.

a sensação que eu tinha era de que todas as pessoas haviam sumido e só havia sobrado eu e você, aqui e lá.

e mais silêncio. eu continuei andando, pelo meio da pista, o asfalto estava meio molhado: até a chuva havia sido suspensa nos céus. o mundo havia parado definitivamente sua rotação e o relógio central não mais se mexia. os ponteiros estavam no abandono estático das 22:36… e nem o vento mais soprava.

minha pele parecia em chamas, meu suor pingava. e as luzes eram fortes ainda, minhas pupilas sensíveis, retraídas, se apertavam. a cidade se conservava acesa na frente dos meus olhos, todos os postes, as vitrines, tudo me cegava. a luz era tudo que restava.

(mas posso estar errada, podia estar tudo apagado mesmo, transformadores explodidos, e essa sensação de iluminação ser apenas toneladas de fogos de artifício explodindo na minha mente.)

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