quarta-feira de cinzas

ando até o bar de ladrilho,
ali ao lado da praça.
ando pra frente, seguindo o trilho
do antigo bonde que já não passa.

sento e peço o prato do dia
e o que vier no prato não me importa.
só quero almoço e sossego,
cerveja, café e cachaça da roça.

contra o sol ajusto os olhos
e observo as garrafas, lado a lado,
formando um bebum mosaico…

e logo do lado do cardápio do dia
não existe mais o papel onde se lia:
“aqui reunem-se pescadores, bebuns,
passarinheiros ociosos
e todas outras espécies de mentirosos!”

mudança dos tempos. como sem pressa.

então, durante o café pós-almoço,
sentada, estico as pernas e ouço
as brisas falarem,
e elas dizem:
“vaaaaaaaaaaai… lááááá”

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