incansável

cabeça encostada na janela
trepidando com o balançar do ônibus
troncho na rua esburacada,
que vai, barulhento,
atropelando garrafas.

estrebuchando no ponto,
desço na Lapa e sento no bar.

tomo todas no balcão,
papo aleatório com gente alheia.
e quem se importa?
ninguém se importa, depois de cruzada
a porta do bar.

bebo o dinheiro do ônibus.

então, sem ter como voltar,
sento na calçada –
me roubaram a carteira.

puta merda!
deixa.
e puxo mais conversa,
observo.

vejo os negros de dread,
vejo os japoneses de sampa,
vejo os brancos estrangeiros
e os batedores de carteira.

que se fodam.
estou na lapa e há três dias que não durmo,
de que me vale uma identidade agora?

carnaval da insônia,
carnaval da infâmia.

cochilo ao lado de um prédio iluminado,
cabeça no asfalto duro,
sob um manto de estrelas.

e sonho em conseguir te extirpar de mim
mas ainda te ter, sem te querer.

sonho te agarrar, mas você escapa.
desejo te abraçar e beijar no caos da Lapa
pra só depois cortar teu amor com uma faca.

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