ao vivo

abro meus olhos pra te encontrar camuflado entre o felupudo tapete branco, descalço, embaixo do sol da janela. os pequenos raios solares atingem minha pele, tímidos porém quentes, e fazem os seus olhos verdes brilharem com uma intensidade cristalina.

tens o violão grudado no peito e murmuras uma cantiga de blues inventada… dedilhas as cordas harmonicamente, sem pressa. o cigarro queima só no cinzeiro, apoiado em seu pacato esquecimento. a fumaça sobe, indo encontrar o PLAC PLAC PLAC das hélices preguiçosas do ventilador.

sua pele morena rejuvenece a cada minuto. sua voz ecoa num sussurro amoroso. não entendo como vai a letra, mas fala algo sobre viajar e deixar tudo pra trás. estendo meus dedos e toco sua barba, movendo-os até deliner seus lábios. tampo-os, em sinal de silêncio. impeço a canção de escapar da sua boca.

acho que, no fundo, tenho medo de que, ao sair da sua alma e encontrar a janela aberta, o sentimendo vá embora e não volte mais.

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