amizade (ou uma possível cura para esse terrível mal que aflige nossas crianças)

olha, já não sou mais tão jovem,
e cansei de pequenas mentiras e estórias,
cansei de acreditar em pequenas coisas
e achar um tesouro em todos os pequenos gestos,
lendo entrelinhas que, na verdade, não existem.

cansei de correr a milha extra,
sempre unilateral.
cansei de esperar saber de você
por outra pessoa, ou só esbarrar com você na rua.

cansei de ouvir você chorar no telefone
e você nunca ter o tempo (ou vontade,
ou paciência) pra me ouvir chorar.

cansei de rimar.

meu otimismo agora só vê meio copo vazio,
meio copo de whiskey sentado no balcão,
afogando a minha consciência e boa vontade,
meu bom humor, meu sorriso, nossa amizade.

estou farta de quebrar os galhos,
ou de esperar receber um telefonema
em que você ligaria por saudade
ou pra saber de mim.

serei a bêbada chata que estraga a festa,
que é inconveniente e amarga,
repetitiva e sem graça
e que desaparece por uma boa década.

estou velha, estou cansada,
sua amizade não vale nada,
e eu estou cansada de sempre me desculpar.

não que te importe, mas meus dentes doem
e o mundo me incomoda.

boa noite, não apareça na minha porta
com sua vida em frangalhos,
ou com sua felicidade ou fiascos,
a não ser que você mude de vida
e comece a ser um pouco mais legal.

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