nightbirds

puxei uma cadeira e sentei em frente à janela da sala, às 18 e pouco e bebi vinho barato, uma boa meia garrafa, até sentir tintilarem as pontas dos dedos. cantarolei uma canção tristonha, internamente, murmurando as palavras suavemente enquanto expirava o ar úmido da tarde.

apaguei as luzes e deixei as últimas migalhas de dia iluminarem a casa.

escutei cantarem os pássaros… os gatos ficaram alvoroçados com o barulho e pularam, e ficaram rondando, roçando nas minhas pernas. pequenos pássaros de peito amarelo, bicando aqui e ali e cantaram, cantaram…

cantarolei mais alto agora…

And niiiightbirds siiiing yoooou
An empty tune
In an empty house
In an empty room
In an empty moment
All the niiiiightbirds siiiiiiiing
We were supposed to rise aboooooooove
But we siiiiiiiink
iiiiinto the ooooocean

acabou que espantei os pássaros com meu canto desafinado, mas vi eles voarem e cantarem mais alto na janela do andar de baixo, e senti tudo e nada naquele momento, o preenchimento e o vazio.

me senti o próprio complexo humano, complexa e simples e falei, por entre os dentes, um agradecimento ao grande Siddhartha por apenas estar viva e ainda ter capacidade de, ao menos, chorar e rir.

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