pequenos escuros lugares que gosto de chamar de meus

gosto de sorrateiramente fotografar escritores compenetrados em civilizados cafés parisienses, completamente imersos em seus mundos pessoais, à escrever obras primas sobre a condição humana e o estado volátil do tempo, dos sentimentos e das coisas.

gosto de conversar com pintores em exposições claras e grandiosas, sempre poéticos, sempre melancólicos. o cinza de suas almas contrastando com o colorido das telas. gosto de falar de Hopper e do tempo que passa, como a arte de hoje pode não ser a do amanhã e, como humanos, ficamos todos, sem exceção, velhos e datados.

gosto de observar bêbados, descendo à goladas cervejas e vinho barato pelas vitrines dos bares e pelas calçadas. longas olheiras, tragando e expelindo fumaça de cigarro. seus lábios rachados ostentando infinitamente longas cigarrilhas das piores marcas – qualquer uma que se possa comprar com trocados. maços e mais maços, à meia luz, caídos meios-olhares que fitam um espectro de passado ou de dias mais prósperos.

gosto de imaginar o que está ausente, o que é infinito ao olhos corriqueiros. gosto de imaginar pessoas unidas pelo destino, pela solidão inesperada, inexplicável. gosto de observar o mundo e de estar, mesmo em uma festa, em uma cidade lotada de pessoas que procuram outras pessoas, inegavelmente, completamente e imutavelmente só.

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