closer to the heart (of the matter)

o ventilador gira no teto, lentamente como sempre, sem circular nenhuma corrente. o ar é pesado e úmido. a noite é silenciosa, nenhum dos vizinhos tem nenhuma lâmpada acesa, nenhum carro passa. a cidade dorme.

eu olho dentro dos seus olhos castanho achocolatados. eles dizem tanto e também não dizem nada. são tão tímidos e tão cheios de paixão. as palmas das minhas mão estão suadas, estou nervosa, meu coração batendo rápido. é você (ou a cafeína) causando essa arritimia em mim.

termino minha xícara e sirvo outra. coloca minha mão no seu cabelo sedoso. seu cabelo cheira bem, cheira como sabão e estrada, como sol e um leve toque de cravo. é o paraíso. as leves ondas, perfeitos encaixes para os meus dedos. deixo a minha mão se alongar um pouco mais, amaciando alguns fios rebeldes no topo da sua cabeça. seu cabelo é castanho como seus olhos mas posso ver alguns fios cinzentos aparecendo aqui e ali nessa massa sólida de cabelo que você possui.

removo minha mão com cuidado e deixo-a deslizar mais para baixo, pousando na sua bochecha. acaricio com ternura por um nanosegundo. sua pele é igualmente macia, corada e quente – tão bom.

“um cílio” – eu digo, quebrando o silêncio companheiro que partilhamos às duas horas da madrugada. minha voz um pouco rouca te assusta levemente mas depois te agrada. “hu-hum” – você responde, quase como um ronronar de um gato. vejo a fina linha dos seus lábios formar um sorriso apertado, curvado pra cima nas pontas. seu pequeno sorriso de satisfação.

claro que não há nenhum cílio. tudo desculpa para estabelecer maior contato. uma pena isso de nós dois não estar em aberto visto que eu gosto tanto de você (e você parece gostar tanto de mim).

esse nosso pequeno jogo de casal é um sonho que achei que nunca fosse se realizar – eu trazendo, à noite, você pra minha casa – finalmente se realizou. senti palpitar o peito quando meu cotovelo esbarrou no seu braço quando passamos pelo corredor apertado, ou quando senti seu hálito no meu pescoço escolhendo o melhor cd de música para jantar.

foi o do dave matthews.

tive uma epifania quando acordei e vi sua sombra na cozinha, fazendo café e acendendo um cigarro com o fósforo do fogão – pequeno ato doméstico que parece tão certo que SÓ PODE SER CERTO.

tantos são os sinais… você se fecha, calado, numa parede de tijolos emocionais, dizendo que não devemos, que não podemos… mas quando você faz o café, serve DUAS xícaras e do jeito que eu gosto – forte e com três colheres de açúcar.

eu bocejo. adoro sua companhia na madrugada, o jeito que seus lábios soltam a fumaça para o alto, em direção a luz, ou os seus dedos viajam em cima da caneca, resgatando o calor do café, mas também sou humana e preciso dormir. “é tarde”. “hu-hum”. e com isso você entrelaça os seus dedos nos meus e levemente me puxa em direção a cama. me deita sobre os lençóis e me beija na testa, sussurrando boa noite.

“mas você está indo aonde?”
“lavar a louça.”
“deixa pra lá… anda… deixa…”
“não, tenho que lavar nossas xícaras. volto já. e cubra seus pés… de noite eles são frios.”

NOSSAS xícaras.
nossas DUAS xícaras.

e, hey! meus pés são de temperatura perfeitamente N-O-R-M-A-L…

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