Março 24, 2006

de noite, quando você se deita na cama, seu corpo está fatigado e você percebe que o mundo é duro e você é mole demais. o travesseiro embaixo da sua cabeça é duro. você é simplesmente humano e nada oferece piedade. você fecha os olhos e pensa como o dia correu errado. seu sonhos estão destruídos, acabados. suas lembranças, seus sentimentos estão aos pedaços e você está tão desolado que nem ao menos tem força pra se abaixar e catar os cacos. levantar então? nem pensar.

parabéns; bem vindo ao clube dos fracassados.

lá está, sua cara contra o muro. você pensa nas suas realizações desses seus anos de vida: um teto pra morar, boa saúde (desde que você parou de beber, comer fritura e começou a escovar a língua), uma família, bons amigos. ou não? será que é por causa da ausência do álcool que, de repente, os seus amigos são chatos, infantis, rabugentos, rídiculos? burguesinhos metidos a besta, cheio de dedos, de vontades. você mesmo se tornou chato, neurastênico, patético.

e as suas saídas maravilhosas de diversão? tornaram-se apenas parte da obrigação de não estar em casa numa noite de sábado. é só o social. por trás daquilo, ninguém ri de verdade, não como riam antigamente da história de quando você, bêbado, rolou a escada. eles riem por educação, até porque te chamaram por educação também, afinal, quem ia querer, senão por piedade, andar com um perdedor fodido que nem você?

mas pelo menos você está em forma, e com bom hálito. mas isso não importa.

na sua classe média, na sua mediocridade, as pessoas estão mais velhas e não querem saber mais de nada. seu respeito, seu senso de grandiosidade (EGO INFLADO) foram escorrendo ralo abaixo. você é nada. já perdeu a conta de quantos milhões de habitantes tem no mundo, mas lembre-se que você é só mais um, transeunte do mundo.

você foi na passeata, gritou para mudar o mundo, tirou uma foto dos pés, plantou uma árvore… e o que é hoje em dia? nada! pra falar a verdade, fora do utópico da sua cabeça, você nunca realmente foi nada. suas realizações foram zero a esquerda, sua poesia foi (e continuará sendo) uma merda, assim como todos os outros trabalhos por você realizados.

você se apaixonou, negou morrissey, disse que o mundo era colorido, amigo, fantástico. quase como uma propaganda de pasta de dente. pra que? pra mais uma vez perder a fé na humanidade. ele esteve certo o tempo todo e nada faz mais sentido do que ele agora: the passing of time leaves empty lives. sua vida está vazia, desprovida de sentido… e você, de coração pesado, nem pode fazer nada a não ser sentar e lamentar.

não tente negar. abra sua janela, abra seus olhos: só tons de cinza. a boca fala que você é ótimo, proclama amizades: mas a abundância da boca não significa nada. o coração não concorda com tais fatos… está calado! e você acreditou em vãs palavras, ilusões plantadas. tudo, tudo ilusão. e como um castelo de cartas em um tornado, ruiu.

“mas a vida continua”. é, continua. mas você não tem mais nada. nem esperança, nem força pra sonhar.

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